| da faculdade de psicologia, no início dos anos 80,
quando me deparei com a arte da “corda-seca”, uma técnica
tão rica e diferente, até então, totalmente desconhecida
para mim.
A identificação foi imediata, “amor à primeira
pincelada”, daquele tipo: “feitas uma para a outra”.
Apesar desse vínculo tão forte e marcante,
minha vida acabou tomando um rumo totalmente diverso no mundo das artes.
Somente bem mais tarde, depois de me dedicar
por muito tempo à enfermagem, e por fim, abandonar mais essa faculdade, é que me
rendi totalmente ao chamado do meu coração.
Com total incentivo de meus pais, que sempre
acharam que meu caminho era a arte, e a ajuda de uma grande amiga, comprei o
forno de cerâmica que me acompanha até hoje, e desde então não parei mais.
Não foi nada fácil recomeçar: pouquíssima
experiência e nenhum rumo definido.
Mas no momento em que coloquei a primeira placa
de cerâmica na minha frente, foi uma coisa mágica, uma explosão de idéias e
assim, retomei com toda garra.
Deixei minha criatividade me guiar e o
envolvimento renasceu tão forte e profundo que até hoje, mais de 10 anos
passados, além de ser minha paixão, minha profissão é a “corda-seca”, uma
técnica de pintura em cerâmica que consiste em fazer um desenho com grafite (ou
carbono) e aplicar uma tinta especial com a ponta do pincel, deixando-a se
depositar em gotas, para que a pintura fique em relevo. Depois de toda peça
pintada, é colocada num forno apropriado até atingir a temperatura de 980ºC, e
essa tinta se transforma numa camada brilhante e vidrada, dando textura e cores
especiais ao desenho inicial.
Como sempre adorei as cores e os pássaros,
resolvi unir duas coisas que me atraiam muito, passei a pintar araras, tucanos e
em seguida, descobri que poderia seguir um caminho que ninguém explorava até
então (pelo menos aqui em Campinas) e me especializar em peças que agradasse aos
turistas estrangeiros e passei a pintar também, baianas, bandeiras, futebol,
jangadas e fui me envolvendo cada vez mais com essa diversidade de cores que
encontramos na cultura do povo brasileiro.
Foi muito gratificante ver que a aceitação
pelos turistas estrangeiros vindos de todas as partes do mundo foi tão grande
quanto a aceitação do público nacional.
Hoje, além de minhas peças serem encontradas em
várias lojas especializadas em artesanato sofisticado, shoppings, hotéis,
aeroporto e algumas cidades turísticas, onde os ímãs de geladeira, as canecas e
os copinhos de cachaça são o que mais despertam interesse, também recebo muitas
encomendas em meu próprio atelier, onde juntamente com o cliente, crio peças
exclusivas, tal como números de casas, placas de empresas, reprodução de fotos
de casarios e peças das mais variadas, com uma infinidade de formas, e que podem
ser apenas decorativas ou até utilitárias (moringas, pratos de bolo, porta-copos,
porta-patê e muitas outras).
Algumas ceramistas, redescobriram há algum
tempo, a corda-seca e passaram a prestar atenção no interesse das pessoas por
peças com “Coisas do Brasil”, como as denomino, e como na arte da cerâmica tem
espaço para todas, sinto grande satisfação ao ver que consegui despertar em
algumas pessoas, novamente o gosto por uma técnica tão interessante e tão pouco
difundida, além de divulgar pelo mundo a cultura do povo brasileiro, que é tão
rica e curiosa.
Apesar da grande procura e o interesse de
alguns em aprender essa arte, ainda não está sendo possível para mim, dividir
essa técnica de pintura tão intrigante com as pessoas que me procuram para
ensiná-las, mas meu sonho é fazer no futuro, através de aulas e workshops, mais
e mais pessoas conhecerem e se interessarem pela cerâmica, especialmente pela
corda-seca.
A corda-seca dá cor à minha vida, estou sempre
inovando, criando novos modelos de peças
e desenhos diferentes. A cerâmica é de uma
riqueza tão grande que tem uma fonte inesgotável de opções.
Digo sempre que ela é algo perigoso, pois
“vicia”, quem é tocado por ela uma vez, jamais a esquece.

Campinas-SP
tel.: 55 (19) 3307-7100 / 8175-2822 /
8841-1468
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